Outeiro de Gatos é uma aldeia da Beira Alta que pertence ao concelho da Mêda, distrito da Guarda.Este é um blog que pretende dar a conhecer esta aldeia e o seu concelho, divulgar as suas riquezas patrimoniais e paisagísticas mas também as suas manifestações populares e culturais, as festas e romarias, as feiras e exposições, os monumentos, as antigas Vilas Medievais, o artesanato e as suas gentes, seus costumes e tradições. Fique por aí e volte sempre. Obrigada.

I Encontro dos Amigos de Outeiro de Gatos - Relatos de um dia em grande

Distribuição das t-shirts
Quando se ouviram as dez badaladas do sino da Igreja, começamos com a distribuição das t-shirts: verde para as senhoras e bordeaux para os senhores...
Às 11 estávamos prontos para o nosso peddy paper. As equipas já tinham nome e com os envelopes dos enigmas nas mãos, começaram a caça do tesouro das chaves.

Peddy paper "Em busca do Tesouro das chaves"
Correram à Fonte da Nogueira, subiram à Casa do Povo, beberam na Fonte das Cantarinhas. Descansaram à porta da Casa da Fidalga e procuraram o grande Eucalipto da aldeia. Um a um, todos os enigmas iam sendo descobertos e as chaves de "ouro" iam sendo reunidas. No final, "Cardoso e Morrão" era a grande vencedora com 8 chaves conquistadas. A "Máquina do Tempo" ficou logo a seguir com 7 chaves e os "Vinagre" , chegando a seguir, conquistaram o terceiro lugar com 7 chaves. Todas as equipas encontraram as chaves escondidas, desvendando os enigmas e divertindo-se muito, sob o sol quente de um dia de Verão.

O almoço
Chegados à hora do almoço, já todos falavam do porco no espeto que esperava por nós junto à Ribeira da Enxameia. Encheram-se os copos, estenderam-se as toalhas! A carne, saborosamente fatiada, foi servida com arroz de feijão e pão da aldeia. Sobremesas havia muitas, pois todos participaram com as suas melhores iguarias.

E a tarde estendeu-se tal como as mantas à sombra da ponte, que o sol queimava para uma tarde de Agosto!
As Árvores de balões
Houve jogos para todos, actividades lúdicas para todas as crianças, desde os mais pequeninos que, felizes, fizeram as suas árvores de balões coloridos, até os mais crescidos que tiveram um tesouro de "pedras preciosas" como descobrir com o desvendar de enigmas codificados em quadras... E não faltaram os "gatinhos" estratégicamente escondidos para outro grupo de meninos e meninas procurar...

Terminou a tarde mas antes de o sol se pôr, já muitos se dirigiam à aldeia para dar continuidade à festa.
Seguiu-se o baile à noite pois eram as festas em honra do Senhor Bom Jesus dos Passos. Só com a entrada na madrugada, chegou aquela sensação de "fim de festa". Cansados mas de "alma cheia" todos regressaram a casa.

Ficou a promessa de um novo "Encontro" para o próximo ano. Ficaram centenas de fotografias para testemunhar os momentos vividos e ficaram as lembranças de um dia para não esquecer!

A Organização
A todos quantos participaram, a Organização agradece.
Esperamos, sinceramente, que tenha sido um dia em grande!

Está quase aí...

Recordando... o Rancho Folclórico

O Rancho Folclórico de Outeiro de Gatos foi criado em 1955 com 30 pares. Como não havia apoios, cada elemento arranjava as suas próprias roupas. Abriam-se baús, pedia-se a avó e à vizinha e cada um apresentava o seu melhor fato.

Faziam-se actuações na aldeia na altura da festa e algumas vezes havia deslocações até à Mêda. Numa dessas participações chegaram a ganhar o 2º Prémio da Lavadeira.

Hoje o rancho só actua na festa da aldeia em Agosto. Juntam-se rapazes e raparigas que, divertidos, dançam e cantam, fazendo o seu melhor, para satisfação de quem ainda aprecia a tradição. 

O blog de Outeiro de Gatos está a recolher fotografias antigas da aldeia. Registos fotográficos das actuações do rancho folclórico, do grupo dos Pauliteiros, da Festa e muitos outros eventos e momentos especiais. Todas as contribuições serão muito bem vindas. O grande objectivo será realizar uma exposição na aldeia com a participação de todos os gatenses e amigos.

A ponte de Aveloso

 
A Ribeira Teja nasce a norte de Trancoso, atravessa todo o concelho da Mêda e, após um percurso de cerca de 45 quilómetros, desagua na margem esquerda do rio Douro, já em terras do concelho de Vila Nova de Foz Côa. Entre Outeiro de Gatos e Aveloso, sobre a Ribeira Teja, encontramos esta singela e linda ponte.

"Embora muitos a identifiquem como ponte romana, a referência correcta ao período de construção da ponte do Aveloso não está tecnicamente demonstrada.
Muito embora o autor do livro "O concelho de Meda", José Saraiva, a tenha incluído nesse período histórico, ninguém pode até esta data afirmar isso com certeza. Sabe-se no entanto que a aldeia que a acolhe, já data do período megalítico.


A sua construção demarca a relevância estratégia desta zona, e as amplas margens que a ladeiam, permitem afirmar que seria ponto de paragem, ou até de permanência após a sua construção. Mesmo junto à ponte ainda hoje permanece o moinho que até cerca dos anos 60 era uns dos pontos de moagem do cereal cultivado nestas paragens.
Até à data desta fotografia, tem servido de forma magnânime os habitantes do Aveloso, que a utilizam frequentemente para passar sob a Ribeira Teja.
Toda construída em granito, conta com 3 arcos, que é certo muito recordam o período românico, e toda a travessia é coberta em paralelo granítico, que vai beber ao alcatrão de ambos os lados.
Embora já tenha sido assolada por alguns Invernos rigorosos a sua estrutura robusta sempre levou a melhor.
Começou-se no entanto a ressentir, a partir dos anos noventa devido essencialmente ao peso dos veículos pesados que lhe têm perpetuado danos irremediáveis, num dos seus arcos.
Embora seja um ícone deste concelho, poderia ser mais valorizada, se fosse limpa e requalificada toda a sua área envolvente, bem como impedido o tráfego a pesados."

Fonte: José Augusto Ferreira, publicado a 17 de Maio de 2008 in  www.panoramio.com/

A 13 de Maio lembramos...

No dia em que 500.000 pessoas visitam o maior santuário mariano de Portugal para assistir às celebrações presididas pela Sua Santidade o Papa Bento XVI, em visita a Portugal, escrevo o post de hoje contando as aparições de Nossa Senhora na Meda, em 1944.

"Numa mina de água, nos arredores da Vila, apareceu Nossa Senhora. As primeiras visões foram reveladas por uma empregada doméstica, que fora buscar água. No interior viu a Virgem e o Menino Jesus, tão nítido, que se podia tirar o ponto das rendas dos vestidos!

Outras pessoas ocorreram ao local e também viram. Em breve, às centenas, convergiam de toda a parte para implorar ajuda. E todos viam Nossa Senhora! Conta-se que um abastado lavadror ali levou o seu filho mudo, esperando o milagre de o ver falar e prometendo à Senhora a junta de bois com que trabalhava. Mal acabara de fazer a promessa, o filho exclamou:
- Meu pai, dê também o carro!

O proprietário do terreno propôs-se construir uma capela, para receber as dádivas e as promessas mas o Clero recusou benzer o terreno não acreditando nas visões. Os cépticos afirmavam tratar-se de um fenómeno de refracção da luz, produzido pelos raios solares, que entravam por uma abertura no tecto da mina. Com a falta de apoio da Igreja, que duvidou do milagre, aquele alvoroço foi-se apagando e a mina caiu no esquecimento..."

Retirado de "Terras da Meda - Natureza, Cultura e Património" de Adriano Vasco Rodrigues

Em Maio contamos...

Neste mês de Maio as minhas palavras serão de relatos de fé. Lendas ou acontecimentos reais que envolvam Nossa Senhora. Começemos por uma pequena lenda, a do Poço do Canto. Não sei se já a conhecem...
"Era uma vez um fidalgo muito rico, que tinha um filho cego. Os pais tinham um desgosto enorme, pois só tinham aquele filho, com aquela deficiência. Por tal motivo recorreram a médicos portugueses e estrangeiros, mas não obtiveram a cura desejada.
Um dia, o menino, que adorava brincar e passear, tanto se afastou que acabou por se perder. Ele, que julgava que se aproximava da casa, cada vez mais se afastava, até que chegou a um lugar onde tudo era árido e seco. Exausto, chorou, até que as suas lágimas fizeram um pequeno poço. Ajoelhou-se e pediu a Nossa Senhora que lhe desse vista para poder voltar para casa. Eis que subitamente, o menino começou a ver!
Entretanto o pai saiu de casa para encontrar o filho. Pelo caminho ia perguntando se por mero acaso o não teriam visto. Nisto, encontra um velhinho que, apontando, lhe diz:
- Vi um menino a correr e a meter-se naquele canto.
O pai aproxima-se e o filho correu em seu encontro dado-lhe um abraço.
- Um poço neste canto! - disse o pai
O filho explicou-lhe que o poço foi formado com as suas lágrimas que Nossa Senhora do Pranto verteu no poço.
A terra tornou-se fértil e foi-se povoando até que ficou a linda aldeia do Poço do Canto."

No próximo post trarei os relatos das aparições de Nossa Senhora na Meda, em 1944...

Visitemos a Igreja...


A construção da Igreja Matriz de Outeiro de Gatos remonta ao ano de 1694.
Na época era exigido que a igreja tivesse baptistério e cemitério adjacente (este hoje está tranformado num pequeno jardim).
A igreja é airosa e linda no seu estilo barroco. É digna de apreço a talha da capela-mor com altar principal e o tecto abobadado em caixotões. O púlpito afeiçoado, que foi retirado no século XIX do Convento dos Franciscanos de Vilares (Marialva) quando as ordens foram extintas, tem uma balaustrada em madeira preciosa. O coro, onde em tempos não muito distantes, os homens tinham lugar nas cerimónias religiosas, é sustentado por duas colunas e dá também acesso ao campanário.
Entre as imagens de culto e veneração dos fiéis, sobressaem, como de maior valor artístico, Nossa Senhora da Graça que é o orago, padroeira de Outeiro de Gatos, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Imaculada Conceição e Santo António.
Pertença da Igreja e quase contíguo e a poente, houve o importante Presbitério (casas do Páteo) com passal, terrenos de cultivo anexos à residência do Presbitério. Serviam estes  terrenos de suporte material para o Presbitério poder cumprir os seus encargos religiosos.
No século XIX, devido às vicissitudes da época e à confusão das lutas liberais, todo este património foi espoliado à Igreja. Transitou depois para a posse de particulares.
No Presbitério, funcionou ainda, uma afamada escola de latim onde os alunos faziam os preparatórios.
Hoje, os altares da Igreja são limpos e embelezados com rendas e flores pelas senhoras “mordomas”de cada altar que, com a ajuda monetária da comunidade, cumprem este compromisso todas as semanas.

Na sua visita a Outeiro de Gatos, não parta sem conhecer esta magnífica Igreja.

Fotografias de António Jorge Ramos, tiradas após as celebrações da tradicional Pascoela, no passado domingo.

Páscoa na aldeia

Chegada a Páscoa, a aldeia veste-se de festa! É Jesus, ressuscitado, que entra nas casas, limpas e perfumadas, numa simbiose perfeita entre cheiros, sons e cores.
Nas ruas, espalham-se pétalas de flores, nas mesas, os melhores doces e bolos e vinho do Porto, para todos beberem quando o senhor padre chegar...
É assim a Páscoa na aldeia. Nesta aldeia de Outeiro de Gatos e em muitas outras onde a tradição se mantém religiosamente.
E o compasso passa, ouve-se a campaínha sonante a avisar. Vem aí a Cruz, correm os donos das casas a abrir as portas! “Aleluia, aleluia!” ouve-se então, e o sacristão segura orgulhosamente a cruz com a imagem de Cristo.

E as famílias, comovidas, beijam-na e beijam-se, trocam mimos entre si, numa alegria realmente sentida...

Uma Santa e Feliz Páscoa!



Fotos retiradas da internet

Outeiro de Gatos - Toponímia (História e Lenda)

Os filósofos esclarecem que na toponímia, a explicação mais simples, normalmente, está errada. Não é fácil determinar com total segurança a origem do nome duma povoação. Já escrevia o Prof. Adriano Vasco Rodrigues, "há que pesquisar, investigar e comprovar." Na sua obra "Terras de Meda - Natureza, Cultura e Património", encontrei um breve apontamento que indicava "Outeiro de Gatos" como uma "elevação onde havia gatos bravos".

Nas minhas pesquisas, encontrei ainda no jornal "A Guarda" (edição de 21 de Setembro de 2001) a relação do determinativo "os Gatos" com a expansão territorial de uma família  mediévica desta denominação. Com efeito, os "Gatos" expandiram-se desde o Távora ao Côa e às cercanias e alguns domínios da Serra da Estrela. Fui, então, à procura desta família e encontrei a seguinte informação.

Nuno Soares Velho (1140-?) foi um fidalgo, Rico-Homem e Cavaleiro medieval do Reino de Portugal, tendo  sido contemporâneo de D. Afonso Hemriques. Foi casado por duas vezes, a primeira com D. Mór Pires Perna (1160-?). Dos seis filhos, o segundo chamava-se Pedro Nunes, "o Velho" (para destrinça de outro homónimo) que casou com D. Maria Anes. Deste casamento nasceu D. Afonso Pires Gato (1210-?), Rico-Homem e Cavaleiro medieval do Reino de Portugal que foi Governador da Guarda. Casou com Urraca Fernandes de Lumiares (1200-?) e tiveram três filhas: Constança Afonso Gato, Teresa Afonso Gato e Guiomar Afonso Gato. DªTeresa Afonso Gato casou depois com D. Mem Soares Melo, 1º Senhor de Melo.

No entanto, a lenda do "Gato de Ouro" que alguns dizem estar relacionada com o nome da freguesia, parece-me muito interessante. Se não, vejamos:

Um dia uma mulher sonhou que num determinado sítio de Outeiro de Gatos (que ainda não tinha este nome) estavam enterrados uns gatinhos de ouro. Na mesma altura um homem sonhou a mesma coisa. Dizia-se, na época, que se duas pessoas (um homem e uma mulher) tivessem o mesmo sonho na mesma altura, esse tornava-se realidade. Sendo um deles de família pobre e outro de família rica, era muito difícil encontrarem-se pois não era hábito as pessoas ricas falarem com os mais pobres. Uns anos mais tarde numa festa, aconteceu encontrarem-se e conversaram acerca do sonho que ambos tinham tido. Chegaram então à conclusão que o sonho devia ser real mas para terem a certeza teriam de se deslocar ao local de que tinham sonhado.
Já tinham passado largos anos e não sabiam se iriam encontrar os gatinhos de ouro. Dirigiram-se ao local e, de facto, encontraram os gatos de ouro com que tinham sonhado. Decidiram, então, pôr o nome de Outeiro de Gatos ao local.

Na aldeia, todos sabem onde é este local. Eu mesma já lá estive algumas vezes. Este fim de semana, de visita a Outeiro de Gatos aproveitei para mostrar aos meus filhos e tirar algumas fotografias.

Lenda das amendoeiras em flor


Em homenagem aos vales e montes da região vestidos de branco das amendoeiras em flor, aqui fica a lenda da linda princesa Gilda e do rei mouro que viveram longos anos de um intenso amor esperando ansiosos, ano após ano, a Primavera que trazia o maravilhoso espectáculo das amendoeiras em flor:

"Há muitos e muitos séculos, antes de Portugal existir e quando o Al-Gharb pertencia aos árabes, reinava em Chelb, a futura Silves, o famoso e jovem rei Ibn-Almundim que nunca tinha conhecido uma derrota. Um dia, entre os prisioneiros de uma batalha, viu a linda Gilda, uma princesa loira de olhos azuis e porte altivo. Impressionado, o rei mouro deu-lhe a liberdade, conquistou-lhe progressivamente a confiança e um dia confessou-lhe o seu amor e pediu-lhe para ser sua mulher. Foram felizes durante algum tempo, mas um dia a bela princesa do Norte caiu doente sem razão aparente. Um velho cativo das terras do Norte pediu para ser recebido pelo desesperado rei e revelou-lhe que a princesa sofria de nostalgia da neve do seu país distante. A solução estava ao alcance do rei mouro, pois bastaria mandar plantar por todo o seu reino muitas amendoeiras, pois quando florissem as suas brancas flores dariam à princesa a ilusão da neve e ela ficaria curada da sua saudade. Na Primavera seguinte, o rei levou Gilda à janela do terraço do castelo e a princesa sentiu que as suas forças regressavam ao ver aquela visão indescritível das flores brancas que se estendiam sob o seu olhar. O rei mouro e a princesa viveram longos anos de um intenso amor esperando ansiosos, ano após ano, a Primavera que trazia o maravilhoso espectáculo das amendoeiras em flor."

Fonte: http://www.turismo.guarda.pt/